
Quando se fala de sexo, muitas são as teorias sobre como dar início do prazer, mas pouco se fala sobre como gerir o seu fim.
No geral, o prazer é algo que se busca incessantemente nas mais variadas atividades. E normalmente, a justificação dessa ânsia é atribuída a impulsos viscerais, à excitação do momento ou a algum estímulo externo. Por outro lado, o fim do prazer está normalmente associado à sua satisfação, ou então à frustração, ao cansaço, ao desinteresse, ao aborrecimento ou, simplesmente, à incapacidade para conseguir desfrutar dele plenamente.
Mas e se eu dissesse que a frustração também pode ser um prazer?!…
No caso do prazer erótico, um dos seus pontos mais fascinantes é exatamente a possibilidade de se controlar o seu início, sem ser necessariamente através da uma ignição, e o seu fim, sem ter de haver um esgotamento.
A estimulação erótica e sexual não tem necessariamente de ser um crescendo, não tem de atingir um fim, nem tem de concluir sempre numa explosão orgásmica. Mais do que uma bomba relógio, o prazer erótico pode ser como uma ondulação, que rebenta e volta a rebentar, ou que simplesmente desliza pela areia da praia incessantemente, enchendo ou vazando a maré do corpo, da mente e da alma de forma cíclica e constante.
No caso do corpo, o “edging” (ou controlo do orgasmo) é o processo de levar alguém ao limite da estimulação sexual, sem nunca deixar que atinja o orgasmo. Neste caso, o que se controla é o momento da rebentação.
A energia causada pela estimulação física leva o corpo a desfrutar de ondas intensas de prazer sem nunca atingir o ponto de libertação orgásmica, convidando-o a gerir essa energia e sentir os seus efeitos. Neste caso, os efeitos são sobretudo sensoriais e a intervenção é feita diretamente no corpo.
Mas as dinâmicas de condicionar o prazer podem ter uma vertente mais psicológica. Controlar o desejo mental é uma das componentes dos jogos de poder ou de role play. Por exemplo, nas práticas de BDSM (bondage, dominação, submissão e sado-masoquismo), a forma como se controlam os limites do prazer e da vontade têm a ver com desafios psicológicos negociados e testados, onde a própria vontade, os impulsos, a excitação e a estimulação sexuais podem ser postos em causa, em busca de uma maior realização pessoal, íntima e erótica.
O fim pode nunca chegar ou pode ser definido por uma palavra de segurança, sem qualquer ligação com o momento orgásmico.
Neste caso, o fim mais desejado pode mesmo ser adquirir a capacidade de gerir a frustração do condicionamento provocado por outra pessoa, na procura de alimentar o desejo por nós próprios. Algo que pode levar a um êxtase mental que ultrapassa, em muito, a intensidade da interação ou do prazer físico.
Neste âmbito da expansão física, mental e emocional do prazer, existem ainda práticas que podem ajudar a despertar outras dimensões energéticas e espirituais, explorando novos limites do prazer. A capacidade de nos desprendermos da realidade que é imposta por noções físicas e sociais, é um passo determinante para conseguirmos compreender a fluidez do prazer. Mais do que algo que se usa, gasta, acontece num momento ou que liga e desliga quando se tem ou não tesão, o prazer sexual pode ser algo contínuo e constante, com flutuações de intensidade consoante os momentos de maior procura ou entrega, de maior proximidade ou afastamento e de maior contacto ou conexão.
Nestes casos, o fim do prazer pode ser o seu princípio e o seu princípio pode ser o seu fim.
Com tudo isto, não pretendo dizer que alguma destas opções é melhor ou pior que a outra. A dimensão humana do prazer merece ser desfrutada em todas as suas variantes e sempre com uma atitude positiva e expansiva. Mas mais do que pensar no prazer com um meio para chegar a um fim, a verdadeira magia do erotismo acontece quando não se olha a meios para desfrutar de cada momento sem fim à vista. 🔥
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