
O que nos leva a arriscar? É sabido que o sentimento mais primordial de qualquer animal é o medo. É o medo que rege a preservação de qualquer espécie. É o medo que leva a estratégias de caça, de construção de abrigos, de criação de comunidades, etc. Nos seres humanos, o medo está embutido em quase todas as nossas ações, a partir do momento em que ganhamos consciência da morte. Ou melhor, do desconhecido.
O que a experiência da vida nos ensina é exatamente a lidar com esse medo e a transformá-lo noutras emoções (umas mais construtivas que outras, desde o isolamento à raiva). Mas uma das mais valorizadas é, sem dúvida, a antítese do medo: a coragem.
Transformar o medo em coragem é possivelmente a capacidade mais extraordinária que atribuímos a qualquer ser vivo. Consideramos que enfrentar barreiras, dificuldades, pressões e perigos é a grande manifestação da vida na resistência à iminência da morte. Seja a frágil planta que resiste ao tempo violento, seja a cria de animal que consegue fugir aos predadores, seja o espermatozóide que resiste ao sistema imunitário ou um bebé que resiste ao trabalho de parto, até aos exemplos da vida adulta e do trabalho que todos os dias testam as nossas capacidades, a nossa resiliência e a nossa própria saúde.
Em termos de comportamento humano, aquilo que para os restantes seres vivos é apenas um modo de sobrevivência, em nós é visto como uma superação pessoal de valor moral. Esse valor deve-se ao facto de considerarmos a coragem uma resistência consciente ao medo. Há quem fuja do medo, o evite, mas a coragem é atribuída a quem o aceita e o enfrenta. E é precisamente com base no valor moral dessa ideia, que somos impelidos a conseguir “superar” muitos dos nossos próprios condicionamentos, sejam eles intrínsecos ou provenientes de influências exteriores.
E porque tudo o que tem valor moral tem níveis (dos nove círculos do inferno ao sétimo céu), a coragem torna-se ainda mais transcendente, quando, para além de nosso “bem”, se manifesta pelo “bem” dos outros.
Nas minhas consultas de Erotic Coaching, encontro pessoas que vêm sobretudo à procura de coragem de enfrentar medos, sejam eles internos e/ou externos. Esses medos, que por vezes ganham a dimensão de vergonha, timidez, autodepreciação, falta de auto-estima ou auto-confiança, são muitas vezes enfrentados pela vontade de dar uma oportunidade ao desconhecido (o maior dos medos), seja em processos de auto-conhecimento e descoberta, em aquisição de ferramentas para melhorar relacionamentos ou na abertura a novas experiências que consideram mais ou menos arriscadas.
Nessa decisão de procurar transformar o medo em coragem, percebe-se que a transformação é muito mais ampla. A principal coragem já está na própria tomada de decisão. Isso significa que o medo se transformou em algo mais importante que a antítese da coragem, O medo deu origem à curiosidade, ao desejo e à vontade de dar um passo em frente, com uma atitude positiva e construtiva, em direção ao tal desconhecido,
Nessa jornada, o caminho acaba por revelar o verdadeiro potencial da pessoa para o verdadeiro prazer de viver, pois a disponibilidade para o prazer mais consciente começa precisamente onde o condicionamento do medo mais inconsciente acaba.
E é na linha que separa essas duas emoções, mas que ao mesmo tempo as define, que nasce a noção de aventura.
A aventura é o salto que o medo dá por cima dessa linha em busca do prazer. Não existe aventura sem medo. É o medo que define o espírito aventureiro porque é precisamente no desconhecido e no inexplorado que reside a aventura.
É então que o medo se transforma em coragem e a coragem, recompensada, se transforma em prazer. Um ciclo que ganha ainda mais significado quando percebemos que o salto que o medo dá em direção ao prazer, não implica apenas coragem (porque a coragem considera consequências) mas sim um salto de fé. Essa fé, que nada tem de religiosa, é a fé que, subitamente, descobrimos que temos em nós mesmos. E é nesse momento que tudo se torna ainda mais transformador. A partir do medo, criámos coragem, espírito de aventura e crença em nós mesmos.
É este apetecível resultado que nos leva a querer arriscar. Seja quando experimentamos algo novo, quando demonstramos as nossas emoções ou quando nos abrimos e damos aos outros. É ao superamos o medo do próprio medo que percebemos que a verdadeira aventura é arriscar acreditar em nós próprios. 🔥
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