Brinca, brincando

Il Gioco (1983 – 2001) – Milo Manara

Apesar das dúvidas existenciais que a palavra “brinquedo” ainda provoque em algumas pessoas quando associada à palavra “sexual”, considero que essa associação é na verdade a visão mais positiva que se pode ter de objetos que são criados para o prazer.

Mais do que “utensílios” ou “acessórios”, os brinquedos sexuais merecem essa designação por serem parte inerente da diversão que a interação erótica e sexual devem promover.

O divertimento é, surpreendentemente, uma das componentes mais esquecidas e negligenciadas do prazer íntimo.

Na rotina do quotidiano, o sexo é muitas vezes visto como uma tarefa, uma recompensa ou, no pior dos casos, uma obrigação. Retirar o sentido lúdico ao sexo é menosprezar a importância da alegria na excitação sexual.

E porque é que a alegria é tão determinante para a nossa vontade de viver e procurar prazer? Porque a alegria não é apenas um mero impulso, é a consequência real de uma conjugação de reações fisiológicas, que galvanizam o nosso cérebro, estimulam os sentidos e nos fazem criar profundos laços afetivos, sobretudo se forem provocadas por alguém.

A alegria proveniente da brincadeira é o primeiro passo que damos, desde que nascemos, em direção a algo que nos faz sentir bem e passamos a desejar. É a essência primordial da nossa conexão com o mundo que nos rodeia. É tão forte e tão marcante que, quando perdemos essa capacidade de brincar, à medida que vamos sentindo cada vez mais o peso da realidade e das suas dificuldades, começamos muitas vezes a procurá-la em substâncias artificiais que nos fazem sorrir mesmo sem alegria, por vezes até de forma excessiva, só para conseguirmos sentir a mínima vontade de conviver com outros ou até, no limite, com nós próprios.

A brincadeira não é brincadeira

Brincar é explorar, é arriscar, é testar, é ultrapassar alguns limites e permitir que ultrapassem os nossos. É muitas vezes um ato de vulnerabilidade, de entrega e de coragem. Implica disponibilidade e disposição. Boa disposição. E se há coisa que o prazer erótico precisa é dessa forma de bem-estar.

Brincar é também a forma mais criativa de se aprender, e os brinquedos sexuais são a prova efetiva disso.

Através de formatos e funcionalidades cada vez mais diferenciados, é possível explorar sensações que potenciam e até superam as possibilidades da mera interação humana, demonstrando que o sexo e o prazer erótico só têm os limites da nossa imaginação. Um limite que começa na curiosidade e que, alimentada pela correspondente vontade, pode transformar uma simples ação lúdica, numa experiência extraordinariamente positiva, didática e construtiva.

Qual o teu brinquedo sexual preferido? Partilha nos comentários… 🔥

Tens curiosidade em saber mais? Marca uma consulta de Erotic Coaching.

Sem respostas

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Comentários recentes

  1. Obrigado pelas palavras 🙂 Dos 7 livros em que se baseia, a primeira temporada foca-se nos primeiros dois e a…

  2. Obrigada! 🤓 Já te disse que quando for grande vou escrever assim? Receio que se venha a estragar a coisa…