05 de agosto de 2026

O Convite (2026)

O Convite (2026)

Quando vi não sabia, mas este é o quinto remake de um filme espanhol (Sentimental, de 2020), que por sua vez é baseado numa peça de teatro de 2015 de Cesc Gay, mas que, em comparação com o original, esta versão consegue inovar bastante, não só na dinâmica entre os personagens como no próprio conteúdo e intenção da história.

Olivia Wilde está-se a tornar uma realizadora ousada e inspirada, com filmes correspondentes a essas características a saírem nos últimos anos e, neste caso, com a especial virtude de ter tido a magnífica ideia de incluir na produção a consultoria da mais clarividente sexóloga do momento Esther Perel, que alimentou a personagem de Penelope Cruz e tornou este filme particularmente pungente na sua mensagem.

Bem realizado e com performances que puderam fugir do guião e criar as suas próprias falas, o filme consegue ser divertido, caótico, sério mas, acima de tudo, curioso em relação ao tema que apresenta.

Um casal cheio de problemas, convida os vizinhos de cima para um jantar onde pretendem queixar-se dos barulhos provocados pelo sexo intenso, mas acaba por ser convidado (ou desafiado) para um novo universo erótico que os tira da zona de conforto.

Mas em vez do sarcasmo seco e cruel, que está muito presente na peça e no filme originais (talvez por terem sido escritos e encenados/realizados pelo mesmo autor), neste caso o casal em conflito encontra um ponto de interesse comum, que os junta numa vontade de descoberta mútua, o que torna a história cativante e viva, sobretudo pela escolha de Seth Rogen para a personagem mais fulcral que, mesmo quando é sarcástico, consegue ser cómico e aligeirar os níveis de constrangimento.

E se Seth Rogen consegue ainda trazer também a dimensão do humor humilde e autodepreciativo, em que quase não acredita no que lhe está a acontecer (literalmente, o agradecimento na cena do strip não estava no guião), Penelope Cruz contrapõe-se diretamente a ele com o seu "exotismo" europeu, a sua desinibição e sensualidade, e com a estocada final que transforma por completo a vida do casal em "maus lençóis".

E essa é, a meu ver, a grande mais valia desta versão desta história: aqui, o "convite" do título deixa de ser apenas sobre um convite para uma experiência sexual inesperada, e transforma-se num convite para uma revolução da própria relação, para um repensar, um re-sentir, para um final e um recomeço com outro ponto de partida, agora mais informado, mais maduro, mais adulto, mais baseado na aceitação do outro e, sobretudo, na curiosidade, no erotismo e na possibilidade de voltar a sentir vontade e desejo pela vida, tanto a nível pessoal como em conjunto.

Um bom filme que abre bons temas de conversa.

Avaliação: 🔥🔥🔥🔥 (4/5)

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