31 de março de 2026

Prazer sem fim

Prazer sem fim

Quando se fala de sexo, muitas são as teorias sobre como dar início do prazer, mas pouco se fala sobre como gerir o seu fim.

No geral, o prazer é algo que se busca incessantemente nas mais variadas atividades. E normalmente, a justificação dessa ânsia é atribuída a impulsos viscerais, à excitação do momento ou a algum estímulo externo. Por outro lado, o fim do prazer está normalmente associado à sua satisfação, ou então à frustração, ao cansaço, ao desinteresse, ao aborrecimento ou, simplesmente, à incapacidade para conseguir desfrutar dele plenamente.

Mas e se eu dissesse que a frustração também pode ser um prazer?!...

No caso do prazer erótico, um dos seus pontos mais fascinantes é exatamente a possibilidade de se controlar o seu início, sem ser necessariamente através da uma ignição, e o seu fim, sem ter de haver um esgotamento.

A estimulação erótica e sexual não tem necessariamente de ser um crescendo, não tem de atingir um fim, nem tem de concluir sempre numa explosão orgásmica. Mais do que uma bomba relógio, o prazer erótico pode ser como uma ondulação, que rebenta e volta a rebentar, ou que simplesmente desliza pela areia da praia incessantemente, enchendo ou vazando a maré do corpo, da mente e da alma de forma cíclica e constante.

No caso do corpo, o "edging" (ou controlo do orgasmo) é o processo de levar alguém ao limite da estimulação sexual, sem nunca deixar que atinja o orgasmo. Neste caso, o que se controla é o momento da rebentação.

A energia causada pela estimulação física leva o corpo a desfrutar de ondas intensas de prazer sem nunca atingir o ponto de libertação orgásmica, convidando-o a gerir essa energia e sentir os seus efeitos. Neste caso, os efeitos são sobretudo sensoriais e a intervenção é feita diretamente no corpo.

Mas as dinâmicas de condicionar o prazer podem ter uma vertente mais psicológica. Controlar o desejo mental é uma das componentes dos jogos de poder ou de role play. Por exemplo, nas práticas de BDSM (bondage, dominação, submissão e sado-masoquismo), a forma como se controlam os limites do prazer e da vontade têm a ver com desafios psicológicos negociados e testados, onde a própria vontade, os impulsos, a excitação e a estimulação sexuais podem ser postos em causa, em busca de uma maior realização pessoal, íntima e erótica.

O fim pode nunca chegar ou pode ser definido por uma palavra de segurança, sem qualquer ligação com o momento orgásmico.

Neste caso, o fim mais desejado pode mesmo ser adquirir a capacidade de gerir a frustração do condicionamento provocado por outra pessoa, na procura de alimentar o desejo por nós próprios. Algo que pode levar a um êxtase mental que ultrapassa, em muito, a intensidade da interação ou do prazer físico.

Neste âmbito da expansão física, mental e emocional do prazer, existem ainda práticas que podem ajudar a despertar outras dimensões energéticas e espirituais, explorando novos limites do prazer. A capacidade de nos desprendermos da realidade que é imposta por noções físicas e sociais, é um passo determinante para conseguirmos compreender a fluidez do prazer. Mais do que algo que se usa, gasta, acontece num momento ou que liga e desliga quando se tem ou não tesão, o prazer sexual pode ser algo contínuo e constante, com flutuações de intensidade consoante os momentos de maior procura ou entrega, de maior proximidade ou afastamento e de maior contacto ou conexão.

Nestes casos, o fim do prazer pode ser o seu princípio e o seu princípio pode ser o seu fim.

Com tudo isto, não pretendo dizer que alguma destas opções é melhor ou pior que a outra. A dimensão humana do prazer merece ser desfrutada em todas as suas variantes e sempre com uma atitude positiva e expansiva. Mas mais do que pensar no prazer com um meio para chegar a um fim, a verdadeira magia do erotismo acontece quando não se olha a meios para desfrutar de cada momento sem fim à vista. 🔥

Queres saber mais? Marca uma consulta de Erotic Coaching.

Comentários