
Uma das melhores definições de Erotismo é que se trata de um jogo. Primeiro, porque um jogo implica um momento lúdico, de divertimento, brincadeira, o que, quanto a mim, é fundamental na dinâmica erótica. Depois, porque um jogo inclui regras, que têm de ser negociadas e aceites por todos, e que poderão ou não ser transgredidas. E, finalmente, porque um jogo requer uma demonstração de interesse e entusiasmo, com um objetivo que pode ser individual ou comum, e que desperta para a ação e para a superação.
Ponto 1: Brincar a sério
Aprofundando um pouco mais cada um destes pontos, começar por enquadrar o Erotismo como uma brincadeira ou diversão pode parecer pouco relevante ou até risível, mas uma das características que, na minha visão, mais definem o Erotismo, é exactamente ser o lado positivo do sexo. E o que é mais positivo do que algo que nos desperta emoções de alegria, de divertimento, de excitação e nos dá vontade de aceitar desafios de forma desinibida e descontraída?
Menosprezar o lado recreativo do sexo é desprezar o seu potencial erótico.
Não é por acaso que os objetos que compramos para estimular o prazer sexual se chamam “brinquedos sexuais”. A ideia de brincar, de experimentar e de explorar o mundo que nos rodeia (e o nosso mundo interior também), provém de uma base muito primária do ser humano: a curiosidade ativa. Descobrir o mundo com fascínio, sem o peso do cinismo de quem já antecipa problemas, receia surpresas ou bloqueia o desconhecido, sem a constante desconfiança e limitações provenientes de medos e preconceitos, consegue ser profundamente libertador.
A brincadeira, e sobretudo o jogo, é uma forma universal e intemporal de conhecer o mundo, os outros e a nós próprios, através de práticas que nos ajudam a ter esse conhecimento de uma forma construtiva, com regras e com objetivos.
Ponto 2: Regras e transgressão
E por falar em regras, o segundo ponto é exatamente sobre a sua importância. Num jogo, as regras são um factor crucial.. Primeiro, porque um jogo só funciona se houver regras. Sem regras não há jogo. São as regras que definem a estrutura e a forma de desfrutar do jogo. Criar, negociar e aceitar regras, demonstra não só uma capacidade de definir um caminho, como também de definir os seus limites.
Num jogo, e sobretudo no jogo erótico, as regras têm ainda outra valia: o ato de respeitar ou desrespeitar as regras, pode ser um dos métodos mais elucidativos de analisar também o carácter e os valores dos participantes no jogo. No jogo erótico em particular, tanto as regras como a sua transgressão podem ser estimuladas e estimulantes. Mas o segredo está em saber fazê-lo de forma que isso seja excitante para todos os envolvidos, de acordo com o objetivo do jogo proposto.
Ponto 3: O pacto da vontade
É exactamente nesse conhecimento que se adquire sobre o outro, que o terceiro ponto ganha a derradeira relevância. Ao entrarmos num jogo, sobretudo se o fizermos com um espírito positivo, e aceitarmos as suas regras, facilmente ativamos a nossa capacidade de presença, através de uma demonstração de vontade concreta, de compromisso e foco, o que pode tornar toda a experiência ainda mais envolvente e dinâmica. No jogo erótico, podemos assim avaliar com elevada clareza as virtudes e as dificuldades de colaborar ou competir numa relação, testar a nossa capacidade de superar obstáculos sozinhos e em conjunto e, finalmente, de conquistar objetivos e compreender o significado de ganhar ou perder, individualmente ou em equipa.
Por todas estas razões, a importância que ao conceito de jogo no Erotismo tem-me mostrado que essa é talvez a forma mais simples e adaptável de abordar temas e criar experiências, seja sozinho ou em casal, que de outra forma poderiam ser vistas como demasiado complexas, impositivas ou descontextualizadas.
Assim, quase todos os meus eventos incluem algum tipo de jogos ou dinâmicas de grupo, inclusive a nível institucional, assim como nos processos que uso nas minhas consultas de Erotic Coaching. 🔥
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