
Inaugurado no dia 6 do 9 deste ano, o Museu do Sexo, localizado no centro do Porto, é um projeto que já há muito fazia falta em Portugal. E digo que “fazia falta” porque Portugal é amplamente rico em Cultura Erótica nas suas mais variadas manifestações artísticas, histórias, mitos, lendas e personalidades e tradições, que fizeram deste país um centro de curiosidades, subversão, segredos e muitas fantasias que tiveram grande impacto no desenvolvimento da nossa sociedade e na forma como a abrimos ao mundo.
Talvez instigado por iniciativas como a Musex (2022) ou o bar que quis ser o Museu Erótico de Lisboa (2024), este Museu do Sexo pode finalmente e convictamente intitular-se como “museu” demonstrando, desde a sua criação, uma vontade de trazer a público “um espaço para provocar reflexão, inspirar conversas e explorar a relação entre o corpo, o desejo e a arte.” Um promissor ponto de partida, que se poderá expandir por diversos caminhos e pontos de interesse no futuro.
Mas falando do presente, e após uma visita ao espaço, este é um museu que, apesar de vários aspectos positivos, ainda denota algumas lacunas que podem ser melhoradas.
Começando pelo princípio, o valor de entrada parece ser um pouco exagerado para um espaço acabado de estrear. Sem haver ainda uma grande procura, o valor pode ser um pouco dissuasor para visitantes expontâneos ou curiosos que passem casualmente à porta ou queiram integrar esse investimento numa visita à cidade. E o que se sente antes, sente-se também depois da visita, já que existem ainda zonas com muito espaço vazio, pouco cuidadas (sobretudo paredes e chão), com algumas zonas de iluminação pouco eficaz e peças expostas sem qualidade (seja artística, de impressão, ou de montagem).
A experiência em si peca logo à partida pela forma como os clientes são recebidos, já que sendo um museu de temática sexual, espera-se uma recepção calorosa, simpática e explicativa, que não se foque apenas na informação sobre o valor da entradas e na indicação do caminho a seguir. Da mesma forma, à saída, depois da uma experiência que, sem dúvida, desperta muitas emoções aos visitantes, o balcão que serve tanto a porta de entrada como de saída, deveria ter essa atenção de receber os visitantes na fim da sua viagem, de forma a que a experiência tenha uma conclusão mais integrada dentro do espaço antes das pessoas voltarem para o mundo lá fora. Em suma, uns “preliminares” e um “after care”, if you will.
E já agora, o merchandising pode ser muito mais variado/ousado, porque certamente muita gente estaria interessada em levar algo para além de uma simples caneca ou de t-shirts da cidade do Porto. E com um valor mais atrativo à entrada, de certeza que as vendas seriam ainda mais estimuladas à saída.
No entanto, apesar destes pontos menos positivos, é impossível não sentir orgulho por quem tomou a iniciativa de criar este museu. Sabe-se que todos os projetos têm sempre algumas arestas a limar, sobretudo no início e sobretudo em Portugal, mas se olharmos para o que o Museu do Sexo já é capaz de proporcionar, muito do trabalho já está feito e bem orientado.
Começando pela imagem de marca, o logotipo consegue ser distinto, atraente e provocador, o que transmite consistência e coerência ao projeto. O site consiste apenas numa página única, com informação sucinta sobre o acesso ao espaço, e as redes sociais começaram por ter teasers com algumas informações e desafios antes da abertura, mas depois passaram sobretudo a partilhar conteúdos de visitantes, o que deixa um pouco a desejar.
Quanto ao espaço em si, o processo da visita faz-se de uma forma muito interessante, com um percurso único, em labirinto, onde cada esquina ou escada esconde uma nova zona de exposição, começando por uma (muito) breve história da sexualidade e levando-nos depois por diferentes áreas que representam vários temas ou contextos relacionados com a cultura erótica.
Apesar da questionável organização sequencial do percurso, o museu apresenta uma robusta coleção de peças das mais variadas vertentes artísticas, e surpreendentes espaços com possibilidades de interação, que lhe atribuem um valor acrescido para os visitantes e boas oportunidades “instagramáveis”.
De referir ainda a considerável quantidade de peças portuguesas expostas (apesar de haver muito mais referências importantes para considerar num museu do sexo português), incluindo obras de alguns jovens artistas nacionais.
Em suma, e apesar da crítica ao valor de entrada, caso o investimento do público seja usado para melhorar e assegurar o crescimento deste museu, é algo que se aceita, já que é um projeto que parte de um princípio muito útil e valioso para a promoção do sexo não só enquanto arte, mas enquanto cultura.
Avaliação: 🔥🔥🔥 (3/5)

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