Corpos comunicantes

“In Bed, the Kiss” – Henri de Toulouse-Lautrec (1892)

Quando se fala sobre os problemas de comunicação nas relações vem-me sempre à memória uma das histórias mais recorrentes sobre a análise que as pessoas fazem instintivamente quando conhecem alguém novo e vão sair para um restaurante ou local semelhante.

Um dos aspetos que mais é identificado como positivo ou negativo em termos de comunicação, é como a outra pessoa trata alguém que está a servir. Muitas vezes essa é uma das primeiras formas de perceber como a pessoa realmente comunica quando não está a fazer o jogo da sedução ou quando está numa posição de poder.

É nessas interações mais secundárias e paralelas que se revela a verdadeira capacidade de alguém comunicar com clareza, educação, simpatia e empatia. Mas a questão da comunicação não se esgota num simples exemplo ou encontro.

A comunicação entre pessoas não é algo que dependa apenas da capacidade de falar de forma clara e sincera. Depende também da capacidade de ouvir de forma atenta e refletiva. É um processo que merece ser treinado e aprimorado constantemente, para não deixar as conversas caírem em precipitações de “já sei o que vais dizer”, “dizes sempre isso”, “nunca ouves o que digo” ou outras reações que tendem a generalizar atitudes e opiniões.

Só existe BOA comunicação quando todos os envolvidos na conversa participam de forma ativa e na procura de um entendimento. Sem esta base, as palavras são apenas sons que SE atiram para o ar.

Por isso é que a comunicação é um tema sempre tão presente quando se fala em relações, sobretudo em relações afetivas, onde muitas vezes as emoções se sobrepõem aos protocolos de cordialidade, educação ou até racionalidade.

Treinar a comunicação no dia-a-dia faz com que haja mais vontade e habilidade para se comunicar em momentos de maior tensão e, sobretudo, de maior tesão. Perceber o outro através da palavra, mas também do tom, dos gestos, dos movimentos do corpo ou até do simples suspirar, é toda uma aprendizagem de vida muito mais valiosa que qualquer doutoramento académico.

Para haver esta compreensão é preciso tempo, presença e atenção, tudo valores que sustentam as relações mais duradouras e harmoniosas. É na comunicação, e não apenas no conversar ou trocar de ideias, que nos damos a conhecer e que conhecemos os outros. A comunicação é a forma como assimilamos o mundo, como o interpretamos com os nossos sentidos e a nossa consciência e como exprimimos os nossos pensamentos e emoções, para que possam ser compreendidos da melhor forma por quem nos rodeia.

Essa expressão pode ser verbal, sonora, visual, olfativa ou física. Daí a importância dos sentidos na experiência erótica. O prazer pode estar em todos ou em cada um deles. Estejamos nós vendados, amordaçados ou amarrados, sabemos que haverá sempre forma de ver as nossas vontades comunicadas e, se bem compreendidas, totalmente satisfeitas.🔥

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  1. Obrigado pelas palavras 🙂 Dos 7 livros em que se baseia, a primeira temporada foca-se nos primeiros dois e a…

  2. Obrigada! 🤓 Já te disse que quando for grande vou escrever assim? Receio que se venha a estragar a coisa…